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ACADEMIA BRASILEIRA
DE HISTÓRIA E LITERATURA
Artigos Acadêmicos29 de janeiro de 2026

TEMPO NOVO OU NOVO TEMPO?

Por Reh Freitas

 

Acolhi a vida, deitei nas margens do tempo, rosadinhas, as maçãs da face, crescidinhas as folhas da árvore, confesso nada a dizer, além do sentir a luz do abajur a clarear o quarto. Em um sobressalto, tempo novo ou novo tempo? E eu me recordo do dia em que, a linha embaraçou-se, puxei fio a fio com delicadeza - quantos nós existentes em nós? Vislumbrei a janela e o sol aquecia os olhos, reflexos, espelhos, estilhaços, sobras, a lente do óculos ainda embaçada...debrucei em páginas...o choro era livre, alma-irrequieta, o cabelo bagunçado, eu queria saltar o dia, a paciência sussurrou no meu ouvido que ouvia, todavia, não escutava. Escutei o estrondo, caiu da última prateleira. De costas, não se podia ler se não o virasse de frente, e lá estava escrito, é... a lente ainda encontrava-se embaçada, com as mãos cobertas de suor, apanhei-o carinhosamente, passei as mãos pela capa esverdeada e esbranquiçada, cheirei as folhas amareladas, enxerguei a orelha, a contracapa, derramei-me por inteira, insisti e persisti, entre palavras monossílabas e dissílabas, certamente, frase em sua completude, demarcava a vontade de devorá-lo, afinal, naquela hora até a comida triturada pelo liquidificador não descia goela abaixo. A chuva era torrencial, lavava-lavava-, lavava-lavava, lavava-lavava...demoradamente, e o instante convocava, calmaria, ufa! Cal-ma-ria! arrumei a colcha de crochê e me acomodei quietinha, ao ajeitar a fronha florida do travesseiro, lá fora cantarolava o passarinho, os sonhos adormecidos acordavam comigo todo santo dia! Inda havia esperança, caí na dança: Fernando Sabino, mineirinho, assim como eu, dei uma escapulida, abri a geladeira: queijo fresco e goiabada – casadinho. Hummmm...Embebi-me em sua prosa leve, otimista – literatura brasileira século XX – valorei o presente - em meio às tantas incertezas, encontrei a flanela rosa, ao enxugar a lente, coloquei as cartas sobre a mesa, mesa farta. A vitrola afinou a voz e tocava...tocava...”No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim.” O silêncio tomou conta do recinto. Inda chove...

 

Reh Freitas

Poeta/Educadora/Escritora/Artesã

Membro Acadêmica ABHL