
Os Maiores Filósofos: Guias Iluminados para Uma Vida Plena
Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho
Quando se fala a respeito de filosofia, não devemos nos ater apenas ao fato de a mesma se constituir numa genial combinação de palavras. É, sobretudo, um caminho para a vivência de uma grande existência. Para que a vivamos, devemos ser estoicos, ou seja, abnegados no sentido helênico da doutrina.
Sócrates, que nada escreveu à posteridade, foi mestre de Platão (que nos legou, por escrito, a obra socrática, originalmente falada para "não perpetuar" eventuais erros diante do tempo). Segundo Sócrates, deve-se "saber que nada se sabe", pois deste modo podemos conhecer a nós mesmos ("conhece-te a ti mesmo"). E, por meio deste conhecimento, Platão completou a mensagem ao afirmar que a medida do caráter de uma pessoa é dada pela forma como ela exerce o poder. Um poder não só em relação ao outro, como, sobretudo, exercitado perante nós mesmos.
Com esse pensamento, devemos citar Siddharta Gautama (Buda), estipulador do pensamento de que devemos exercer o autocontrole sob a vertente, por ele declamada, de que o cuidado com o corpo é um dever moral, já que, assim, conseguiremos domar a mente por meio da regular prática da meditação. Nessa dualidade (corpo e mente focados), as reações químicas do organismo estariam prontas a receber, na sua plenitude, o ideal confucionista de que nada devemos esperar dos outros, mas exigir, sim, tudo de nós próprios, numa linear mudança de personalidade, diretiva ao puro pacifismo, que evita quaisquer forma de violência, e faz-nos, assim, sentirmo-nos vitoriosos por si próprios (afinal, o próprio Confúcio nos legou a doutrina de que, ao deixamos levar pelo ódio, a pessoa a quem este terrível sentimento é dirigida já nos venceu). Como disse o Dalai Lama: nunca estrague seu presente por um passado que não tem futuro.
Este autoconhecimento (que, como visto, passa por Buda, Confúcio e pelo Dalai Lama, culminando na máxima socrática de que "conhecemos a nós mesmos"), não é fácil. Muita resiliência é necessária a atingir o estado de iluminação, especialmente num mundo conturbado e desumano. É oportuno, desta forma, lembrar Santa Teresa D'ávila, para quem "a paciência é uma virtude". Em conjunto com as máximas de Lao-Tsé, de que uma grande jornada começa com um pequeno passo, e da abstenção a qualquer forma de competição (inclusive, na direção traçada à Iluminação), seremos capazes de, com fiel seguimento ao Buda, a Confúcio e ao Dalai Lama, ser estoicos o bastante para regozijar de pessoas sermos com ampla medida de caráter, tal como definida por Platão.
Um detalhe: com exceção de Sócrates e Platão, essas grandes pessoas jamais encontraram uns aos outros. Mas, sim, seus pensamentos, numa ampla espiral de sabedoria, pureza e luminosidade.
Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho
Membro da Academia Brasileira de História e Literatura


