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DE HISTÓRIA E LITERATURA
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Artigos Acadêmicos01 de julho de 2026

Do pavilhão premiado ao apagamento do Palácio Monroe

Anapuena Havena

Em 1904, o Brasil participou da Exposição Universal de Saint Louis, no estado do Missouri, Estados Unidos. O evento celebrava o centenário da Compra da Louisiana, território que antes pertencia à França.

 

Para o evento, foi construído um pavilhão destinado a exibir as potencialidades do país: café, matérias-primas, como algodão, madeira, borracha e minerais, além de produtos manufaturados. A intenção era apresentar ao mundo uma nação moderna e fortalecer as relações diplomáticas com os Estados Unidos.

 

O engenheiro e arquiteto militar Francisco Marcelino de Sousa Aguiar foi o responsável pelo projeto. O edifício apresentava um estilo eclético, destacando-se por sua cúpula imponente e suas trinta e seis colunas.

 

A obra chamou a atenção dos visitantes e críticos, recebendo uma Medalha de Ouro, frequentemente citada em relatos históricos como o reconhecimento máximo, ou Grand Prize, celebrando a excelência da arquitetura e da engenharia brasileira.

 

O pavilhão foi construído em estrutura metálica desmontável para ser transportado para o Rio de Janeiro após o encerramento da feira. Rebatizado como Palácio Monroe por Joaquim Nabuco, em homenagem ao presidente americano James Monroe, autor da doutrina que defendia a não intervenção europeia nas Américas, o prédio tornou-se um dos principais cartões-postais da então capital federal.

 

Em 1906, o Palácio Monroe foi a sede da Terceira Conferência Pan-Americana, um encontro internacional de grande importância que buscava promover a integração política e econômica entre as nações do continente. A conferência foi presidida por Joaquim Nabuco, embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

 

Posteriormente, o edifício abrigou a Câmara dos Deputados, entre 1914 e 1922, e o Senado Federal, entre 1926 e 1960. Com a transferência da capital para Brasília, o Senado mudou-se para a nova sede, e o palácio perdeu sua funcionalidade, desencadeando um intenso debate sobre a sua permanência.

 

Os defensores da sua demolição apresentavam diversos argumentos: alguns alegavam que a localização do palácio prejudicava a instalação da estação de metrô da Cinelândia; outros afirmavam que ele não representava a cultura brasileira.

 

O edifício possuía uma arquitetura eclética, estilo que, na época, encontrava-se desvalorizado, pois não era visto, por muitos, como o verdadeiro símbolo do progresso. Chegaram a apelidar o prédio de “monstrengo”, tamanho o empenho em desmerecê-lo.

 

O jornal O Globo conduziu uma grande campanha pela sua demolição. O IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) e o Clube de Engenharia tentaram impedir a destruição. Argumentou-se que decisões cruciais para o país foram tomadas ali, nas dependências do Monroe, mas o IPHAN negou o pedido de tombamento.

 

O presidente Ernesto Geisel então autorizou a demolição. A empreiteira responsável pela obra foi autorizada a vender as peças de valor do palácio como parte do processo.

 

Em 1976, o Palácio Monroe foi reduzido a destroços. O edifício, que fora considerado uma obra de arte e colocara o Brasil em evidência em uma exposição internacional, foi apagado do cenário carioca. Em seu lugar, foi construída a Praça Mahatma Gandhi, para onde foi transferido um chafariz que antes estava na Praça da Bandeira e que havia sido adquirido por Dom Pedro II, em Viena.

 

O Palácio Monroe foi destruído porque, para alguns, ele não representava a modernidade que desejavam transparecer, em um esforço de apagar a memória associada ao período anterior.

Quando aprenderemos a respeitar a nossa história? Quando entenderemos o valor do nosso patrimônio histórico?

 

Como declarou Pedro Calmon:

“A memória do homem é fraca. Por isso, a história é a memória de um povo.”

 

 

Anapuena Havena
Presidente da Academia Brasileira de História e Literatura

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