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ACADEMIA BRASILEIRA
DE HISTÓRIA E LITERATURA
Artigos Acadêmicos26 de janeiro de 2026

Confúcio: O Mestre Reverbera

Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho

Ao longo dos séculos, a busca pela felicidade foi uma constante. Reis, imperadores e demais líderes costumavam pregar, a si e aos seus grupos, um padrão por eles considerado correto. Mas nada, absolutamente nada, é a felicidade senão um conjunto interno e estável de positivas emoções. E, na arte de incuti-las, ninguém foi tão bem sucedido como o filósofo chinês Confúcio.

Sua doutrina consistia, geralmente, na existência de uma organização estatal que governasse por meio da bondade, e não da força. Daí a sua célebre regra de ouro, de não fazer aos outros o que não gostaria que lhe fizessem. A compatibilidade entre o Estado de bondade e a regra de ouro seria a chave de uma magnânima sociedade, junto à busca da paz interna, ao final mencionada.

Como em todas as sociedades, os respectivos membros devem exercer alguma função. Na hipótese confucionista, os cidadãos e citadinos devem trabalhar naquilo que gostam, vez que, assim, não teriam de trabalhar um único dia nas suas vidas.

Se, por acaso, vacilarem na condução de seus préstimos, que não o encarem como um fracasso, pois a verdadeira glória não reside na ausência do erro, mas no fato de nos reerguermos todas as vezes que erramos. Afinal, como o próprio Confúcio dizia, não importa o quão devagar seja, desde que não pare nunca (uma variação da filosofia primaz se deu contemporâneo Lao-Tsé, segundo a qual uma longa jornada se inicia com um pequeno passo).

E, ao longo deste caminho, dificuldades surgirão. Tal ocorrendo, por culpa própria, que se não atribua aos demais, pois não é a erva daninha que mata a plantação, mas a negligência do cultivador. E, provada a interferência alheia, não odeie, não nutra rancor ou algo do tipo: pense que a construção do Estado de bondade exige um exemplo de retidão, de respeito aos mais velhos e de lealdade familiar, pois o "mandato do céu", conferido ao governante que segue ditos princípios, obriga a todos, razão por que, se odiares, já foste vencido por aquele a quem o ódio é dirigido, ao passo que, se procederes à vingança, não deves esquecer de cavar duas covas.

É melhor, como enfatizou o Mestre, ficares calado (pois o silêncio é um amigo que nunca trai), não esperar nada dos outros (exigindo tudo de si próprio), e, também, não agir por impulsos de hipocrisia, eis que, se vires um homem bom, deves imitá-lo, mas, se for mau, deve-se olhar a si próprio.

Por Confúcio, se deduz que o caminho da porta está aberto a todos (isto é, ninguém é obrigado a sair pelas janelas ou demais escapismos não óbvios, sendo essa uma metáfora de que a busca da felicidade, pelo modo de vida acima referido, é precedido da paz interior, consistente na mais profunda meditação). Ele já deduzia que a meditação faz com que domemos a mente, e, por consequência, o corpo. Estudos científicos recentes associaram a prática à liberação de endorfinas, o hormônio do bem-estar, que se espalha por todo o corpo, diminuindo-se ou, mesmo, anulando-se os impulsos de agressividade.

Confúcio (assim como seu, também, contemporâneo Buda, embora nunca tenha se encontrado), se não exalou dito ensinamento desta maneira, o fez de outra.

E sem escapismos não óbvios.