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ACADEMIA BRASILEIRA
DE HISTÓRIA E LITERATURA
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Produções Poéticas23 de fevereiro de 2026

Chove Saudade

Anapuena Havena

O dia amanheceu chuvoso.

Sento-me na cadeira da varanda 

e observo o cair da chuva, 

como quem volta para casa.

 

A água toca o chão

e faz brotar saudade em meu coração.

O pensamento desliza longe... 

vai lá no meu sertão.

 

O cheiro da chuva evoca memórias:

a alegria que ela traz, 

a esperança que se renova, 

a paz que retorna.

 

Chuva cai em todo canto,

mas no sertão tem um sentido diferente.

 

É o agradecimento a Deus pela bênção derramada, 

é o balançar da rede no alpendre,

para assistir ao mais belo espetáculo da natureza, 

tão aguardado,

com uma xícara de café quentinho na mão.

 

É o canto feliz dos pássaros em sinfonia, 

o anúncio feito pelo barulho forte do trovão, 

a beleza dos raios —  

verdadeiro espetáculo da Criação.

 

Sublime felicidade ali expressa,

escondida, no meio do mato, 

onde as horas correm devagar,

longe da correria que o mundo insiste em nos reservar.

 

Ali, apreciar a chuva é quase uma obrigação.

É silenciar

para contemplar o milagre da renovação.

 

Dias chuvosos enchem meu coração de saudade.

Saudade da terra de onde sonhei sair, 

mas, por ironia, 

onde agora eu desejo estar.

 

Meu lugar de raízes, 

meu lugar de memória.

Lá, queria estar agora.

 

Por ora, 

contento-me com o aconchego da lembrança.

 

Anapuena Havena

Em um dia de grande saudade da Fazenda.