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ACADEMIA BRASILEIRA
DE HISTÓRIA E LITERATURA
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Artigos Acadêmicos18 de fevereiro de 2026

AS QUATRO ESTAÇÕES DO ANO: o esplendor em suas evidências

Sérgio Leal Caldas

Existe uma magia na "beleza" das estações do ano que não conseguimos definir exatamente o que é...  

 

Certamente é algo divinamente conectado às mais refinadas sintonias do universo com a nossa alma, onde ambas vibram em altas frequências, em um mesmo diapasão... Revelam os mais elevados padrões de refinamento implícitos na mente divina quando o criador concebeu os "contraditórios" no plano universal, e os inseriu em um fabuloso "sistema de consequências". Neste contexto, os contraditórios fazem parte dos movimentos da vida no âmbito da própria natureza. São os "pares e opostos" concebidos pelo criador, cuja missão é dar "movimento" às coisas existentes no universo.  

 

Temos assim, presente nas manifestações animadas e inanimadas da Natureza, o frio e o quente; a felicidade e a tristeza; o mau e o bom; o mal e o bem; o bonito e o feio; o cheiroso e o fedorento; o cheio e o vazio; o positivo e o negativo; o amor e o ódio, o verão e o inverno, a primavera e o outono, e outras situações análogas. 

 

Portanto, o sistema universal de consequências funciona assim, evidenciando os opostos. Afinal, a cor preta existe para que a branca possa se evidenciar, e vice-versa... Uma rosa que se expresse em vermelho assim existe para que a outra, expressando a cor branca, possa se evidenciar e vice-versa. E assim, a mente humana só percebe "diferenças". São estas diferenças que são "percebidas" e assimiladas em nossas mentes para que a consciência as acolha no mais sincero gesto de respeito…  

 

Destaca-se, ainda, neste particular, que o "morno", a presença intermediária de algo, evidencia o "quente" e vice-versa; e o "frio", evidencia o "morno" e vice-versa... São momentos de distintas "realidades"...

 

Neste sentido, o outono evidencia o inverno, enquanto a primavera evidencia o verão na busca de outra evidência: o inverno, seguindo-se à mesma analogia nas demais estações do ano.

 

Não é à toa que as grandes escolas iniciáticas do passado e do presente, bem como alguns movimentos tradicionais religiosos, evidenciam a figura do "triângulo" onde os pares e opostos se posicionam nos dois pontos de sua base, deixando para o terceiro ponto, a "percepção" da mente humana, da existência destes contrastes. E essa "percepção" pelos sentidos objetivos do Homem, hão de alimentar a sua "consciência" em um fabuloso e permanente processo de expansão...

 

Como seres humanos, cabe-nos a busca permanente da mais adequada forma de gerir a "essência" destas "evidências" cultivadas por estes opostos, buscando-se, em suas intermediações, um grande despertar: a luz, seja na sua forma pura de simplesmente iluminar um ambiente, ou mesmo, em sua forma voltada ao despertar ou expansão da consciência humana.

 

A luz, todavia, só se manifesta de modo permanente se houver um elo resistente entre seus polos opostos. Vejam o caso de uma lâmpada, onde a eletricidade há de cumprir a sua missão em dar movimento às coisas que nos cercam, simplesmente manifestando o movimento de algo ou a própria luz. Esta, uma vez manifestada, permitirá o acesso às coisas da natureza por meio de um dos nossos mais importantes sentidos objetivos: a "visão", também alimentando e expandindo a nossa consciência...

 

Para que esta luz se manifeste de modo "constante", é preciso haver um elo "permanente e resistente", ligando os dois polos opostos da corrente elétrica: o negativo e o positivo. Esta "resistência" tem como missão "suportar" e "manter" este grande encontro de opostos, onde a luz haverá de se manifestar de forma contínua... Em não havendo tais características de "resistência contínua", ao se unir pura e simplesmente os polos negativos e positivos, haverá de acontecer uma enorme explosão, dando origem apenas a um forte "clarão" que se apagará em seguida, não mais se manifestando. Neste caso, a obscuridade, em seguida, se fará presente...  

 

Portanto, esta atuação "intermediária" que permite a "permanência da luz", onde se ligam os polos negativos e positivos, é o local onde se abriga um grande segredo da natureza: a permissividade e a sustentabilidade de uma tomada de consciência...

 

Há, de se destacar, na essência desta permissividade, um abrigo acolhedor de um grande movimento que a própria natureza nos reservou e onde se insere a manifestação da vida: as quatro estações do ano: o verão; o inverno; a primavera; e o outono.

 

Assim como o verão - o quente - guarda em si a sua oposição radical ao inverno - o frio -, a primavera e o outono revelam, em suas essências, o protagonismo de promover o "caminho", ou a "intermediação consciente" para as "evidências" do verão e do inverno; ou em outras palavras, as oposições que se mostram diante de si.  Ora, quando estamos no inverno - principalmente os mais radicais - evidenciamos, em nossas mentes, o seu opositor radical, o verão, e exaltamos, naturalmente, em nossas consciências, o seu "valor". Neste sentido, buscamos na primavera o "elo" que os liga, ou seja, o seu esplendor de luz à busca do seu natural opositor; o verão, onde uma postura intermediária há de agradar àqueles que assim buscam… Por outro lado, quando estamos no verão - principalmente os mais escaldantes -, valorizamos imediatamente o inverno - o seu natural opositor, ou mesmo a própria primavera, também em sua postura intermediária. Vemos, pois, na primavera, o elo que faz sustentar e dar evidência à luz de ambas as estações e a ela própria...  No inverno, em direção ao verão, a primavera nos permite acolher, em nossas consciências, a "evidência natural" desses polos opostos, onde haveremos de contemplar as suas naturais nuances de manifestação intermediária...

 

Sendo assim, como seres humanos, nos postamos diante de um grande encontro: o da dualidade, sempre atentos e submissos aos ditames da natureza. Buscamos, nas profundezas de nossas almas, a sua grande razão de existir e de se manifestar, exercendo o sublime esforço da coexistência harmônica entre pares e opostos por meio dos elos que os sustentam na manifestação e manutenção da luz.

 

 

Sérgio Leal Caldas 

Autor da obra "Mensageiro da Alma", ed. Viseu, 2024.

Membro da Academia Brasileira de História e Literatura