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DE HISTÓRIA E LITERATURA
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Artigos Acadêmicos13 de abril de 2026

A ORIGEM DO LÚDICO

Renata Freitas

Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae.

O brincar é necessário para a vida humana.  (São Tomás de Aquino).

 

A ludicidade é essencial na vida do ser humano, seja na fase da infância ou mesmo na fase adulta.

 

Desde a Idade Média, já se pensava no lúdico como uma ferramenta primordial no ensino-aprendizagem. Na contemporaneidade, quando se ouve esta palavra, logo se associa à inovação. Esta ideia, porém, é equivocada.

 

No período de 742 a 814, o imperador Carlos Magno criou um centro de ensino em seu palácio. Nessa época, o exímio filósofo e pedagogo, Alcuíno, iniciou um trabalho envolvente por meio de charadas, anedotas, palavras cruzadas, brincadeiras e piadas. Ele afirmava: “deve-se ensinar divertindo.”

 

Percebe-se que não se pode agir com base apenas na racionalidade, pois o ser humano é voltado também para o prazer, a alegria, a frustração e a resolução de problemas.

 

Desde já, é preciso ressaltar que o lúdico, aqui exposto, não se volta somente para jogos; sua função crucial é desenvolver uma problemática que coloque o indivíduo em interação social, autônoma, atuante e participativa. Dessa forma, é preciso “jogar por terra” alguns preconceitos, como o de que o professor de Língua Portuguesa deve trabalhar somente de uma única forma.

 

Considerando a capacidade do homem em aprender e resolver situações complexas, Barros propõe que:

 

(...) A capacidade de nos utilizarmos bem de nosso cérebro em nosso cotidiano é benéfica para aquele modo em particular, pois é justamente em frente a uma situação dada, independentemente de seu nível de complexidade, que pensamos melhor. Contudo, esse benefício não se restringe àquele momento específico, mas passa a ser uma conquista nossa. Toda vez que agimos de forma adaptada e inteligente, tornamo-nos também capazes de sermos pessoas mais adaptadas e inteligentes, de forma em geral. (2004, p. 27).

 

De acordo com o IPA Brasil (Associação Brasileira pelo Direito de Brincar), jogos e desafios são tão importantes para a criança quanto a nutrição e suas necessidades vitais. O brincar deve ser encarado como “um meio, um direito e um dever”. Entendem-se como meio as diversas formas de desenvolvimento pessoal, afetivo, alegria e solidariedade. A Convenção dos Direitos da Organização das Nações Unidas – ONU (1995) diz que “Toda criança tem o direito ao descanso e ao lazer, a participar de atividades de jogos e recreação, apropriadas à sua idade e a participar livremente da vida e das artes.”

 

Em suma, os filósofos da época ensinavam que, ao trabalhar com o lúdico, não deve haver separação: hora de ensinar e hora de brincar. O educador que entra na sala com essa concepção, com certeza, não tem possibilidade de desenvolver um bom trabalho. Vale ressaltar que é preciso atentar também para os limites, ou seja, uma boa atividade deve ter algum regulamento. Caso contrário, corre-se o risco de confundir a atividade lúdica com o passatempo.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

MACEDO, Lino de; PETTY, Ana Lúcia Sicolli; PASSOS, Norimar Chirte. Os jogos

e o lúdico na aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 2005.

 

SANTOS, Santa Marli Pires dos Santos (Org). O Lúdico Na Formação Do Educador. 6ª ed. Petrópolis:Vozes, 2004.

 

 

 

 

Renata Freitas

 

Membro da Academia Brasileira de História e Literatura